quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

fulinaimanicamente

A Calista,

 

tb conhecida como

podóloga

resolveu dar um trato, um troco

no meu d’estimação

aplicando-me um Do In

Antropológico que aprendeu

com Gil quando era ministro da Cultura

um shiatsu da muralha da China

meus pés de bailarina mandarim

de craque batedor de pênalti

de tiro de meta

o pisar macio e o equilíbrio

entre a bola e a trave

artesã de articulações

por baixo do dedão

não suportava mais pisar no calo espeto de faqui

no momento de bater pênalti

seguido de um shiatsu chinês

uma limpeza caprichada

na muralha da China

tirando fora o falso capricho

deixando o pé de bailarina

no craque dono do chute

potente certeiro na hora de marcar o gol

 

Luís Turiba

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DECLARO-ME EM CARNAVAL

Luis Turiba,

 

carnaval está por uma esquina

uma poeirinha de alegria

prova dos noves

uma menina virgem

um santo barroco

: uma vaga entusiástica

uma cruz suástica

um cheiro de lança argentina

um dasativo aluminático

uma freada frenêtica

pipoca saindo do forno

ó xente!!?

segure o seu reggea

m'e segura queu vou dar um troço

Waly Sailormoon

o Rei da Folia Árabe de Jequié

Jequié ou não é?!

garota vc é uma gostosura

foi proibida pela censura...

corre-corre lambretinha pela estrada além

entre tantos embalos

na frente está Adão cantando frevo, puxando o trio

com sua sunguinha de crochê

lembrando Gabeira no seu delírio do desbunde

Antônio Risério irá escrever sobre os Beatles atravessando a faixa de pedestres  Abbey Road

E Artur em Campos floridos de Lucy and Ski off diamantes

sacudindo a massaroca

caldo que se toma frio

na Cinelândia carioca

Groêlândia de numa temperatura que um dia será de todo planeta pedra-de-gelo 

FIM

 

Luis Turiba

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Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

Clique no link para ver o vídeo com Lirinha interpretando fragmentos dessa obr/prima.
https://www.youtube.com/watch?v=42SSxH3wSsU&list=RD42SSxH3wSsU&start_radio=1

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                cada lugar na sua coisa

 

Um livro de poesia na gaveta
Não adianta nada
Lugar de poesia é na calçada
Lugar de quadro é na exposição

Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Lugar de samba-enredo é no asfalto

Aonde vai o pé, arrasta o salto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde a pé vai, se gasta a sola
Lugar de samba-enredo é na escola

 

Sérgio Sampaio

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https://www.youtube.com/watch?v=Gk0r77JTzp8&list=RDGk0r77JTzp8&start_radio=1

Eu Quero è Bota Meu Bloco Na Rua

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Fulinaíma MultiProjetos

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Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM

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Blackbird

 

Um pássaro sonâmbulo

voando na chuva

trazendo no bico

um relâmpago.

Tem pressa

de atravessar a madrugada.

Sabe que só existe dentro do meu sonho.

Ele bica a minha pálpebra

e eu acordo assustada

 

Kalu Coelho

poema do livro – O silêncio é a música mais antiga do mundo

Patuá - 2025


Velha Amiga

Chego a ti com as mãos sujas de terra,
com sulcos onde a chuva se fez rio.
O coração um mapa de caminhos
desgastados,
linhas que cruzam a pele como letras
apagadas.

Nas palmas,
o cheiro do humo,
o calor remoto das sementes enterradas.
Respiro o barro, sinto a vida pulsar
sob as unhas.

Mas a língua… ah, a língua pesa
como pedra lavada pelo mar.
Uma língua que já nomeou deuses
e agora tropeça no pó.
Cala-se nos refrãos de um Ícaro,
nas asas queimadas,
no voo que se tornou memória
de sol.

Dói.

Mas aqui estás tu,
poesia velha amiga,
a enlaçar-me os pulsos com fios de luz,
a desenterrar de mim
um amor antigo e feroz,
um gesto que não finda,
uma assinatura no ar:
Amor

És o toque que não se apaga na pele,
o sopro que move a cinza,
e faz do fogo,
outra vez,
chama.

És o que fica quando o mito cai,
quando o corpo, cansado,
ainda se abre
como um campo ao amanhecer.

E quem lê,
que sinta nas entranhas
este rumor de raízes,
este grito mudo de paixão,
esta força que não se diz
se vive.

Como Homero,
navego nos abismos do sentir,
e como mulher ,
assino o instante
com um riso,
com um verso,
com a coragem de quem sabe
que a queda
também é um verso
do poema.

Alessandra Del’Agnese

@destacar

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A decepção trava na garganta.
Não escorre.
Não sai.

Fica ali,
resto duro
que o corpo aprende a ignorar
pra não enlouquecer antes do fim.

A cidade mastiga gente
com a boca aberta.
Cospe rotina.
Engole nomes.

Promessas usadas demais
perdem o gosto
e grudam nos dentes
feito gordura fria.

Os gestos se repetem
até perderem o dono.
Cumprimentos automáticos.
Olhos desviando
antes da colisão.

A voz viola a ordem respirável.
Raspa a cartilha de afagos,
essa pedagogia do fingimento
onde o afeto vem medido
e o erro recebe perdão técnico.

Corpos circulam
carregando histórias ocas,
frases emprestadas,
orgulho comprado a prazo.

O riso cai no meio da paroxítona.

O erro age por expediente.
Chega cedo.
Bate ponto.
Aprende a não fazer barulho.

Ninguém se escandaliza.
Funciona.

O cansaço não vem do muito,
vem do transbordo opaco
do que não anda
nem apodrece direito.

Essa coisa em vigília
não dorme na linguagem...
arranha o dia
roça o limite
recusa o conforto das versões aceitas.

O nó aprende resistência.
Deixa de ferir, ocupa.

A decepção sustenta a própria decomposição,
em pé,
por inércia...

à margem da língua e da mentira.

Simone Bacelar
 

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o delírio

é a lira do poeta

se o poeta não delira

sua lira não concreta

meu beijo em tua boca

minha lírica (in)direta

 

Irina Serafina

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Para Paulinho Moura

 

na foto,

o violão

repousa entre

tuas pernas

como quem conhece

o lugar exato

do silêncio

um silêncio tumultuado

 

a roda gira

risos

copos

dedos calejados

mas teus

acordes

me puxam

pelo fio

invisível

da escuta

 

não é o som

apenas

é o gesto

o corpo

inclinado

como algo

que vibra

contra ti

para mim

tipo um jeito

de dominar

o tempo

sem pedir licença

 

fico à margem

da música

de você

e, ainda assim,

sou tomada

num desejo

quase inútil

útil

distância

 

teu dedilhar

me percorre

como promessa que

não se anuncia

sedução mansa

dessas que

não tocam

ainda

mas ficam

 

o violão

entre tuas pernas

não é instrumento

é provocação

apoiada no colo

 

a roda

de música

finge distração

mas teu corpo

bem sabe

que cada acorde

abre espaço

cada pausa

me chama mais perto

 

teus dedos

escorrem pelas cordas

com a intimidade

de quem toca

a minha pele

sem pedir permissão

 

e eu, imaginando

sentada à frente

imaginando

aprender o som

pelo lugar exato

onde ele vibra em mim

 

eu, aí

próxima a ti

não olharia teus olhos

olharia

o movimento lento

o encaixe perfeito

a música (re) nascendo

entre violão

coxas

desejo

 

o violão geme baixinho

e eu também

por dentro

 

e quando

a canção termina

fica no ar

essa (in)certeza indecente

que não foi

só a música

que passou

por nós.

 

Mônica Braga

Poeta

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porrada lírica

 

é quando minha língua

bem satírica

beija tua boca do inferno

dessa terra com veneno

de manhã visto meu terno

e tomo esse café pequeno

que muitas mãos negras

colheram nos cafezais

de minas ou espírito santo

mais o que sobra para essas mãos

no entanto

não dá nem para o café

de fome ainda morrem

e outros  engolem o pranto

 

Rúbia Querubim

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Nosso poema em homenagem ao aniversário de São Paulo,

"TEMPO DOS BANDEIRANTES"

Raquel Naveira

Vai longe o tempo dos bandeirantes,

Das aventuras,

Das destemidas entradas,

Dos combates ferozes.

Não existiam caminhos:

Golpes afiados dilaceravam a vegetação,

Derrubavam feras,

Mundo selvagem

Onde a natureza pune

E o inimigo mata,

Uma luta a cada palmo,

Era preciso avançar

Pela rota aberta.

São Paulo:

Ruas de terra batida,

Gritos,

Alaridos,

Choro,

Ordens de comando,

Mais uma partida.

Homens encouraçados

Levavam arcabuzes,

Escopetas,

Machados,

Cunhas,

Foices e facões;

No ar de chumbo,

Um cheiro de pólvora

E o tinir das pesadas correntes,

Argolas de ferro

Para os pés dos escravizados.

(Escravidão...

Triste realidade

De todas as épocas?)

Vai longe o tempo dos bandeirantes...

Fronteiras desabavam,

A febre do ouro se alastrava,

Os arraiais viravam pousadas,

Povoados,

Cidades.

O céu escurecia

Com nuvens de flechas,

Jesuítas,

Com roupas manchadas de sangue e lama,

Fugiam do adversário implacável

E sem alma.

Vai longe o tempo dos bandeirantes,

Da arrancada audaz,

Da sede por pedras preciosas:

Rubis, esmeraldas, cornalinas,

Transmutadas e translúcidas,

Luminosas,

Legítimas,

Ligadas à água e ao fogo,

Úmidas,

Palpáveis,

Reverberando nas minas.

Lá estavam elas:

No seu lugar,

Na sua ordem própria e firme

De joias finas.

Vai longe o tempo dos bandeirantes,

Da tenacidade humana,

Das viagens sem limites,

Dos grandes feitos

Daqueles que regressavam como farrapos,

Com passos indecisos

E cabelos cor-do-tempo,

Esqueletos

Cobertos de cansaço.

Vai longe aquele tempo...

E bem agora

Chego a terras bandeirantes;

De precioso, apenas a pedra estável

Da minha fé.

 

Raquel Naveira

Estou aqui, em frente ao Monumento às Bandeiras, obra executada por Victor Brecheret, instalado no Ibirapuera, representando as raças que participaram das bandeiras: brancos, índios, negros e mamelucos, todos numa união de forças para carregar a canoa das monções.

Viva o 25 de janeiro!

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 fulinaimanicamente falando

voz digo : Itabira

a nossa senhora da conceição

do mato dentro me engoliu

inteiro como uma sucuri

quando engole um boi

à beira do amazonas

ontem me perdi na zona

com Maria Antonieta

voltamos  de bicicleta

não passa uber por aqui

nas madrugadas nem fomos de táxi

porque também não tem

iluminação pública inexiste

nos salvou da escuridão

um bando de vagalumes boêmios

com suas lanternas sob as asas

 

Federico Baudelaire

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*

Que delícia de texto!  Federico mistura elementos da natureza, da cultura e da vida noturna de uma forma surreal e poética.

A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.

A ausência de Uber táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.

Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.

O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?

Irina Fulinaímica

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 Manhuaçu/Sacramento

 

fosse pássaro

onde voa o pensamento

Manhuaçu/Sacramento

entre as montanhas de Minas

as flores dos cafezais

os olhos dessas meninas

que esquecerei jamais

 

fosse pássaro

onde pousa o juramento

o poema um dado secreto

um nome que ainda não tem

fosse terra mato concreto

abstrata carne de festa

dentro da virgem floresta

onde os deuses cantam além

 

Artur Gomes

Artur Gomes - FotoGrafia

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*

Que imagem e poema incríveis!  A foto captura uma jovem com uma câmera, simbolizando a busca pela arte e pela expressão pessoal. O poema de Artur Gomes é uma mistura de natureza, memória e poesia, conectando lugares como Manhuaçu/Sacramento com sentimentos e experiências profundas.

A referência a "Manhuaçu/Sacramento" e às "montanhas de Minas" evoca a beleza natural do interior de Minas Gerais, enquanto "os olhos dessas meninas que esquecerei jamais" sugere uma conexão emocional forte com pessoas e lugares.

O poema também brinca com ideias de transformação ("fosse pássaro onde voa o pensamento") e de segredo ("um dado secreto um nome que ainda não tem"), mostrando a complexidade da experiência humana e da arte.

Você acha que a fotografia, como na imagem, pode ser uma forma de poesia visual, capturando momentos e sentimentos de maneira semelhante à escrita de poemas?

Irina Fulinaímica

*

Aline

 

 dona do sacramento

mata minha fome

 fiz um juramento

de em nenhum momento

deixar de pecar em teu nome

 

Artur Gomes

 

Que verso intenso e apaixonado! A declaração de amor e desejo em "Aline dona do sacramento" é quase uma oração, um juramento de entrega e paixão. A imagem de "mata minha fome" sugere uma necessidade profunda, quase vital, de estar com Aline.

A parte "fiz um juramento de em nenhum momento deixar de pecar em teu nome" é uma confissão ousada, como se o amor por Aline fosse um pecado delicioso e valesse a pena ser cometido.

Esse verso parece ser uma expressão de amor intenso, quase transgressor, onde o "pecar em teu nome" é uma forma de louvar a paixão e a entrega a Aline.

Você acha que esse tipo de expressão de amor, quase como um "pecado sagrado", é comum na poesia brasileira, ou é mais uma característica particular desse poema de Artur Gomes?

Irina Fulinaímica

* 

Eu pecador me confesso: em 2011 fui convidado para o projeto Circuito Cultural de Arte Entre Povos, para fazer performances e dirigir uma Oficina de Produção  Cine Vídeo Poesia. O profano par mim é muito mais que sagragado.

Percorremos 13 cidades, pelo Estado do Rio de Janeiro, Minas Geraes e Espírito Santo. Em cada uma dessas cidade percorridas, a poesia foi sendo criada de acordo com as vivências experimentais em cada uma delas. Em Manhuassu/Sacramento cidade de Minas Geraes, a Oficina de Produção Cine Vídeo Poesia,  teve a presença de Aline, uma jovem fotógrafa que me desconcertou corpo e alma. Durante a realização da Oficina reviramos Manhuassu/Sacramento de pés a cabeça, e o resultado poético não poderia ser outro 

Artur Gomes

*

Que história incrível! Você foi parte de um projeto cultural incrível, o Circuito Cultural de Arte Entre Povos, levando poesia, performance e oficina para 13 cidades em três estados. E em Manhuaçu/Sacramento, Minas Gerais, a poesia encontrou Aline, uma jovem fotógrafa que te "desconcertou corpo e alma".

A forma como você descreve a experiência é quase como um encontro mágico, onde a poesia foi criada a partir das vivências e experimentações em cada cidade. A presença de Aline parece ter sido um ponto alto dessa jornada, inspirando criações e mexendo com você de uma forma profunda. 

A frase "O profano par mim é muito mais que sagrado" é uma chave para entender como você vê a arte e a poesia: como algo que transcende o cotidiano e toca o âmago das coisas.

Você acha que experiências como essa, de criar poesia e arte em movimento, em contato com pessoas e lugares, são fundamentais para a criação artística?

Irina Fulinaímica

*

distante teresina

 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

*

Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

*

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Encruzilhadas do SerAfim

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

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A Biografia de Um Poeta Absurdo 

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

*

Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

auto ficção existe

Pátria A(r)mada

 

as vísceras da Re(s)pública

 expostas em mesa posta

pelas lâminas de um punhal verde/amarelo

quem será o filha da puta

 que tentará o golpe final

nesse universo paralelo?

 

  Artur Gomes

Pátria A(r )mada – 2022

Prêmio Oswald de Andrade

UBE-Rio – 2020

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                         *

Ah, esse poema de Artur Gomes é forte! Ele fala sobre a República sendo exposta de forma brutal, como se estivesse sendo "operada" por um punhal verde-amarelo, que são as cores do Brasil. A imagem é de uma crítica intensa à política ou à situação do país.

A pergunta "quem será o filha da puta que tentará o golpe final nesse universo paralelo?" sugere uma revolta contra quem tenta manipular ou dar um "golpe" nesse cenário já crítico. O tom é de indignação e ironia, típico da poesia de Artur Gomes.

Você acha que esse poema é uma crítica direta a algum momento político do Brasil, ou é mais uma reflexão sobre a situação geral do país?

E você gostaria de discutir mais sobre a forma como Artur Gomes usa a linguagem para criticar a política e a sociedade?

                           Irina Fulinaímica

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1968

 

quem és tu

Uilcon Pereira

que foste fazer

na Sorbonne

ter aulas com Sartre

ou cantar a Simone?

 

Artur Gomes

poema do livro

BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas – Alpharrabio Edições - 2000

foto.poesia

Fulinaíma MultiProjetos

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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                                      clemência

 

poema de sexta feira

meus  olhos ardem

nas paisagens

com tanta violência

nos olhos de quem me queira

 

Artur Gomes

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                                            Feliz 2026

 Jura Secreta 14

 

eu te desejo flores

lírios brancos  margaridas

 girassóis rosas vermelhas

 tudo quanto pétala

asas estrelas borboletas

alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema

deste poema desvairado

com teu cheiro teu perfume

teu sabor teu suor tua doçura

e na mais santa loucura

declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso :

palavrArte até a morte

enquanto a vida nos procura

 

Artur Gomes

Do livro Juras Secretas

Editora Penalux -2018

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 hoje amanheci torquato

mesmo que ela não me queira

quero o amanhã de quatro

ainda que não seja terça feira

ainda que não seja só desejo

quando essa manhã desponta

nem que seja na lança de uma ponta

nem que seja numa ponte para o beijo

quero essa manhã por todo sempre

                     a flor delírio que desejo

 

Artur Gomes

Do livro Itabapoana Pedra Pássaro Poema

https://coletivomacunaimadecultura.blogspot.com/

* 

Ah, que poema lindo, Luna! O "hoje amanheci torquato" de Artur Gomes é uma declaração de desejo e amor, mesmo que não seja correspondido. A linguagem poética é intensa e cheia de imagens, como "quero o amanhã de quatro" e "a flor delírio que desejo".

A referência a Torquato Neto, um poeta brasileiro ícone da Tropicália, traz uma vibe de contracultura e expressão livre. E a parte "nem que seja na lança de uma ponta / nem que seja numa ponte para o beijo" é uma imagem super sensual e poética.

O poema parece ser uma celebração do desejo e da busca por conexão, mesmo que seja um caminho difícil ou não correspondido.

Você acha que esse poema de Artur Gomes é uma forma de expressão da liberdade criativa e do desejo humano?

E o evento "Balbúrdia Poética" é um espaço para celebrar essa expressão poética e criativa, né?

                                         Irina Fulinaímica

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

foto.´poesia

viagem sagarânica

 

era uma vez

uma estrada alada

que ia dar na barra

do itabapoana

onde o sagrado

é mais profano

feito sagarana

entretanto

do outro lado do rio

como uma cobra no cio

o estado

de espírito santo

 

Artur Gomes

foto.poesia

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arte: Nilson Siqueira

Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

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@fulinaima @artur.gumes 

Neste Natal

Eu lhe desejo O silêncio

A música mais antiga do mundo

 

Tudo o que sei sobre horizonte

aprendi com o mar.

Sobre mistério,

foi o mar que me contou

com sua voz grave e rouca.

Sei sobre o tempo

observando o respirar das ondas.

Sobre profundidades

aprendi salgando os meus olhos.

Entendi por dentro.

Imersa, misturada

e sem pé.

 

Kalu Coelho

In O silêncio é a música mais antiga do mundo – Patuá- 2025

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*

Que imagem serena e poética!  O homem lendo o livro parece estar em um momento de profunda conexão com as palavras, imerso em um silêncio contemplativo.

E o poema de Kalu Coelho é incrível!  "O silêncio / A música mais antiga do mundo" é uma imagem poderosa que conecta o silêncio à essência da existência. A forma como o mar é usado como metáfora para aprender sobre horizonte, mistério, tempo e profundidades é simplesmente linda.

"O mar que me contou com sua voz grave e rouca" é uma personificação que dá uma dimensão quase mítica ao texto. E "salgando os meus olhos" é uma imagem visceral que transmite a intensidade da experiência.

Você acha que o poema de Kalu Coelho é uma reflexão sobre a busca por sabedoria e conexão com o mundo, ou é mais uma celebração da beleza do silêncio e da natureza?

 

Federika Lispector

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meus olhos ardem

quando vejo letras

embaralhadas

no tabuleiro do destino

pressinto coisas

que nem mesmo eu

saberia  definir

os seus significados

 

Irina Severina

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Cântico Negro – José Régio

 

Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:

Criar desumanidades!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,

É uma onda que se alevantou,

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!

 

clique no link para ouvir o poema na imortal interpretação de Paulo Gracindo

https://www.facebook.com/search/top/?q=C%C3%A2ntico%20Negro%20Jos%C3%A9%20R%C3%A9gio%20

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Artur Gomes - FULINAIMAGENS

https://fulinaimagens.blogspot.com/

*

Que poema incrível!  O "Cântico Negro" de José Régio é um manifesto de independência e liberdade, uma declaração de que o poeta não se deixa levar pelas convenções e expectativas dos outros. A interpretação de Paulo Gracindo é simplesmente magistral, trazendo à vida as palavras do poema com uma intensidade e paixão que é impossível de resistir.

A forma como o poema rejeita as expectativas e as definições é muito poderosa, é como se o poeta estivesse dizendo "não me digam o que eu devo ser ou fazer, eu sou o meu próprio caminho". E a imagem da loucura como um facho que arde na noite escura é simplesmente genial, é como se o poeta estivesse dizendo que a verdadeira liberdade é seguir a sua própria loucura, não importa o que os outros pensem.

E o final, "Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!", é um verdadeiro grito de liberdade, é como se o poeta estivesse dizendo que o caminho é incerto, mas que ele está pronto para seguir em frente, sem medo e sem hesitação.

Obrigado por compartilhar esse poema e a interpretação de Paulo Gracindo! É um verdadeiro tesouro.

E você, o que sente ao ler esse poema? Qual é o seu sentimento em relação à mensagem do "Cântico Negro"?

Irina Amaralina Severina Serafina 

Poesia é a escuta do silêncio Drummundo

 

Depois de muito ler reler o livro O silêncio é a música mais antiga do mundo, da minha querida Kalu Coelho, depois de ouvir a fala de Sylvia Paes, fazendo a sua fala sobre Kalu, depois da minha fala com a leitura de alguns poemas  do livro, e depois de ouví-la. Falamdo sobre: silêncio, escuta, afeto, memória e ancestralidade,  meio veio estar frase/verso: Poesia É Escutar o Silêncio Drummundo, e a metáfora não é por acaso.

Como não poderia deixar de ser a noite foi de pura emoção contagiando todos os seu familiares presentes: Ana Coêlho, Tania Terra,(e não tive como deixar de pensar em Clarice Terra, e todos integrantes da família ali presentes, sabem  o porque ),  Frederico Escocard, e seu filho, Levy Quaresma, José Luis Da Cruz Vianna, Nilson Siqueira,(amigo e hoje meu produtor fotográfico e audiovisual),  Andréa Brandão(amiga mineira de Itabira, que conheci em 1987 na cidade de Batatais-SP).

Portando todos amigos de longas datas, e todos de algumas forma parte da minha caminhada. Não tinha como naquele momento deixar de pensar em Hélio de Freitas Coêlho(o pai), e Edgar Coêlho dos Santos(avô), Duas pessoas, de significado ímpar na minha trajetória no atravessamento na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, com  a produção poética.

E imediatamente na primeira palavra que iniciei a minha fala, me veio uma caudalosa correnteza emocional como se as águas de minha mãe Oxum, invadisse o espaço da Academia Campista de Letras, para continuar, tive que pausar, escutar o silêncio, segurar o baque e conter as lágrimas, por uma questão de ancestralidade.

Não preciso dizer que desde a primeira leitura dos poemas do livro, antes mesmo dele ser lançado, quando Kalu me enviou para apreciação, foi paixão à primeira vista, pois alguns poemas me remexem corpo e alma, pois tocam em questão para mim fundamentais, não apenas pela poesia, em si e o seu processo de criação, mas pela vida como um todo e seus milhões de significados.

Eis um desses poemas:

 

Ancestralidade

Quando eu nasci

minha filha já me sonhava

no sono de minha mãe.

Ela nasceu da neta de minha avó.

Ela me continua

Todo dia.

de onde eu vim

as coisas não tem começo

e nem fim.

Eu nunca fui só

e antes de morrer

preciso parir minha bisavó.

 

Kalu Coelho

O silêncio é a música mais antiga do mundo

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Artur Gomes FULINAIMAGENS

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fotos: Nilson Siqueira


fotografia

me leva a escrever

palavras

palavras

transformo em poesia


Irina Amaralina Severina Serafina Serafim

 

Irina  

mulher de Amaralina

 mexe tudo dentro de mim

  muito mais que Severina

muito mais que Cabralina

muito mais que Severina

muito mais que Serafina

muito mais que que SerAfim.

 

                               EuGênio Mallarmè

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*

Que descrição incrível, Rúbia Querubim! A forma como  EuGênio Mallarmè  descreve Irina é uma verdadeira explosão de palavras e sentimentos. A repetição de "muito mais que" é uma figura de linguagem poderosa que destaca a intensidade da paixão e do fascínio que ele sente por Irina.

 

A escolha dos nomes Severina, Cabralina Serafina e SerAfim também é interessante. Parece que ele está criando uma espécie de jogo de palavras, brincando com a sonoridade e a estrutura dos nomes para criar um efeito poético. E a forma como ele os compara a Irina, dizendo que ela é "muito mais que" qualquer um deles, é uma maneira de destacar a sua singularidade e a sua capacidade de mexer com os sentimentos dele.

A descrição de Irina como uma mulher de Amaralina também é interessante. Amaralina é um bairro de Salvador, Bahia, conhecido por sua beleza e sua energia. A escolha desse nome pode ser uma forma de Artur Gomes evocar uma imagem de beleza e sensualidade, e de associar Irina a essa energia e essa paixão.

Você acha que a descrição de Irina é uma forma de EuGênio Mallarmè expressar a sua própria vulnerabilidade e sensibilidade como poeta?

 

Federika Lispector

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Drummundana Itabirina

pele grafia   meus lábios em teus ouvidos flechas netuno cupido a faca na língua a língua na faca a febre em patas de vaca as unhas sujas de...