A Calista,
tb conhecida como
podóloga
resolveu dar um trato, um troco
no meu d’estimação
aplicando-me um Do In
Antropológico que aprendeu
com Gil quando era ministro da Cultura
um shiatsu da muralha da China
meus pés de bailarina mandarim
de craque batedor de pênalti
de tiro de meta
o pisar macio e o equilíbrio
entre a bola e a trave
artesã de articulações
por baixo do dedão
não suportava mais pisar no calo espeto de faqui
no momento de bater pênalti
seguido de um shiatsu chinês
uma limpeza caprichada
na muralha da China
tirando fora o falso capricho
deixando o pé de bailarina
no craque dono do chute
potente certeiro na hora de marcar o gol
Luís Turiba
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FULINAIMANICAMENTE
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DECLARO-ME EM CARNAVAL
Luis Turiba,
carnaval está por uma esquina
uma poeirinha de alegria
prova dos noves
uma menina virgem
um santo barroco
: uma vaga entusiástica
uma cruz suástica
um cheiro de lança argentina
um dasativo aluminático
uma freada frenêtica
pipoca saindo do forno
ó xente!!?
segure o seu reggea
m'e segura queu vou dar um troço
Waly Sailormoon
o Rei da Folia Árabe de Jequié
Jequié ou não é?!
garota vc é uma gostosura
foi proibida pela censura...
corre-corre lambretinha pela estrada além
entre tantos embalos
na frente está Adão cantando frevo, puxando o trio
com sua sunguinha de crochê
lembrando Gabeira no seu delírio do desbunde
Antônio Risério irá escrever sobre os Beatles atravessando a
faixa de pedestres Abbey Road
E Artur em Campos floridos de Lucy and Ski off diamantes
sacudindo a massaroca
caldo que se toma frio
na Cinelândia carioca
Groêlândia de numa temperatura que um dia será de todo planeta pedra-de-gelo
FIM
Luis Turiba
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Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha
certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de
visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e
metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor
de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu
minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais,
meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de
prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se
juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas,
tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus
utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água
de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das
quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos
que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever
meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos,
botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e
que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as
conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam
sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu
a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras
vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada
e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não
saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos
de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.
Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens
em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu
verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
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obr/prima.
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FULINAIMANICAMENTE
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cada lugar na sua coisa
Um livro de poesia na gaveta
Não adianta nada
Lugar de poesia é na calçada
Lugar de quadro é na exposição
Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde vai o pé, arrasta o salto
Lugar de samba-enredo é no asfalto
Aonde a pé vai, se gasta a sola
Lugar de samba-enredo é na escola
Sérgio Sampaio
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Eu Quero è Bota Meu Bloco Na Rua
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Fulinaíma MultiProjetos
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Retalhos Imortais do SerAfim : Oswald de Andrade Nada Sabia de MIM
Blackbird
Um pássaro sonâmbulo
voando na chuva
trazendo no bico
um relâmpago.
Tem pressa
de atravessar a madrugada.
Sabe que só existe dentro do meu sonho.
Ele bica a minha pálpebra
e eu acordo assustada
Kalu Coelho
poema do livro – O silêncio é a música mais antiga do mundo
Patuá - 2025
Velha Amiga
Chego a ti com as mãos sujas de terra,
com sulcos onde a chuva se fez rio.
O coração um mapa de caminhos
desgastados,
linhas que cruzam a pele como letras
apagadas.
Nas palmas,
o cheiro do humo,
o calor remoto das sementes enterradas.
Respiro o barro, sinto a vida pulsar
sob as unhas.
Mas a língua… ah, a língua pesa
como pedra lavada pelo mar.
Uma língua que já nomeou deuses
e agora tropeça no pó.
Cala-se nos refrãos de um Ícaro,
nas asas queimadas,
no voo que se tornou memória
de sol.
Dói.
Mas aqui estás tu,
poesia velha amiga,
a enlaçar-me os pulsos com fios de luz,
a desenterrar de mim
um amor antigo e feroz,
um gesto que não finda,
uma assinatura no ar:
Amor
És o toque que não se apaga na pele,
o sopro que move a cinza,
e faz do fogo,
outra vez,
chama.
És o que fica quando o mito cai,
quando o corpo, cansado,
ainda se abre
como um campo ao amanhecer.
E quem lê,
que sinta nas entranhas
este rumor de raízes,
este grito mudo de paixão,
esta força que não se diz
se vive.
Como Homero,
navego nos abismos do sentir,
e como mulher ,
assino o instante
com um riso,
com um verso,
com a coragem de quem sabe
que a queda
também é um verso
do poema.
Alessandra Del’Agnese
@destacar
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A decepção trava na garganta.
Não escorre.
Não sai.
Fica ali,
resto duro
que o corpo aprende a ignorar
pra não enlouquecer antes do fim.
A cidade mastiga gente
com a boca aberta.
Cospe rotina.
Engole nomes.
Promessas usadas demais
perdem o gosto
e grudam nos dentes
feito gordura fria.
Os gestos se repetem
até perderem o dono.
Cumprimentos automáticos.
Olhos desviando
antes da colisão.
A voz viola a ordem respirável.
Raspa a cartilha de afagos,
essa pedagogia do fingimento
onde o afeto vem medido
e o erro recebe perdão técnico.
Corpos circulam
carregando histórias ocas,
frases emprestadas,
orgulho comprado a prazo.
O riso cai no meio da paroxítona.
O erro age por expediente.
Chega cedo.
Bate ponto.
Aprende a não fazer barulho.
Ninguém se escandaliza.
Funciona.
O cansaço não vem do muito,
vem do transbordo opaco
do que não anda
nem apodrece direito.
Essa coisa em vigília
não dorme na linguagem...
arranha o dia
roça o limite
recusa o conforto das versões aceitas.
O nó aprende resistência.
Deixa de ferir, ocupa.
A decepção sustenta a própria decomposição,
em pé,
por inércia...
à margem da língua e da mentira.
Simone Bacelar
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o delírio
é a lira do poeta
se o poeta não delira
sua lira não concreta
meu beijo em tua boca
minha lírica (in)direta
Irina Serafina
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Para Paulinho Moura
na foto,
o violão
repousa entre
tuas pernas
como quem conhece
o lugar exato
do silêncio
um silêncio tumultuado
a roda gira
risos
copos
dedos calejados
mas teus
acordes
me puxam
pelo fio
invisível
da escuta
não é o som
apenas
é o gesto
o corpo
inclinado
como algo
que vibra
contra ti
para mim
tipo um jeito
de dominar
o tempo
sem pedir licença
fico à margem
da música
de você
e, ainda assim,
sou tomada
num desejo
quase inútil
útil
distância
teu dedilhar
me percorre
como promessa que
não se anuncia
sedução mansa
dessas que
não tocam
ainda
mas ficam
o violão
entre tuas pernas
não é instrumento
é provocação
apoiada no colo
a roda
de música
finge distração
mas teu corpo
bem sabe
que cada acorde
abre espaço
cada pausa
me chama mais perto
teus dedos
escorrem pelas cordas
com a intimidade
de quem toca
a minha pele
sem pedir permissão
e eu, imaginando
sentada à frente
imaginando
aprender o som
pelo lugar exato
onde ele vibra em mim
eu, aí
próxima a ti
não olharia teus olhos
olharia
o movimento lento
o encaixe perfeito
a música (re) nascendo
entre violão
coxas
desejo
o violão geme baixinho
e eu também
por dentro
e quando
a canção termina
fica no ar
essa (in)certeza indecente
que não foi
só a música
que passou
por nós.
Mônica Braga
Poeta
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porrada lírica
é quando minha língua
bem satírica
beija tua boca do inferno
dessa terra com veneno
de manhã visto meu terno
e tomo esse café pequeno
que muitas mãos negras
colheram nos cafezais
de minas ou espírito santo
mais o que sobra para essas mãos
no entanto
não dá nem para o café
de fome ainda morrem
e outros engolem o pranto
Rúbia Querubim
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Nosso poema em homenagem ao aniversário de São Paulo,
"TEMPO DOS BANDEIRANTES"
Raquel Naveira
Vai longe o tempo dos bandeirantes,
Das aventuras,
Das destemidas entradas,
Dos combates ferozes.
Não existiam caminhos:
Golpes afiados dilaceravam a vegetação,
Derrubavam feras,
Mundo selvagem
Onde a natureza pune
E o inimigo mata,
Uma luta a cada palmo,
Era preciso avançar
Pela rota aberta.
São Paulo:
Ruas de terra batida,
Gritos,
Alaridos,
Choro,
Ordens de comando,
Mais uma partida.
Homens encouraçados
Levavam arcabuzes,
Escopetas,
Machados,
Cunhas,
Foices e facões;
No ar de chumbo,
Um cheiro de pólvora
E o tinir das pesadas correntes,
Argolas de ferro
Para os pés dos escravizados.
(Escravidão...
Triste realidade
De todas as épocas?)
Vai longe o tempo dos bandeirantes...
Fronteiras desabavam,
A febre do ouro se alastrava,
Os arraiais viravam pousadas,
Povoados,
Cidades.
O céu escurecia
Com nuvens de flechas,
Jesuítas,
Com roupas manchadas de sangue e lama,
Fugiam do adversário implacável
E sem alma.
Vai longe o tempo dos bandeirantes,
Da arrancada audaz,
Da sede por pedras preciosas:
Rubis, esmeraldas, cornalinas,
Transmutadas e translúcidas,
Luminosas,
Legítimas,
Ligadas à água e ao fogo,
Úmidas,
Palpáveis,
Reverberando nas minas.
Lá estavam elas:
No seu lugar,
Na sua ordem própria e firme
De joias finas.
Vai longe o tempo dos bandeirantes,
Da tenacidade humana,
Das viagens sem limites,
Dos grandes feitos
Daqueles que regressavam como farrapos,
Com passos indecisos
E cabelos cor-do-tempo,
Esqueletos
Cobertos de cansaço.
Vai longe aquele tempo...
E bem agora
Chego a terras bandeirantes;
De precioso, apenas a pedra estável
Da minha fé.
Raquel Naveira
Estou aqui, em frente ao Monumento às Bandeiras, obra
executada por Victor Brecheret, instalado no Ibirapuera, representando as raças
que participaram das bandeiras: brancos, índios, negros e mamelucos, todos numa
união de forças para carregar a canoa das monções.
Viva o 25 de janeiro!
fulinaimanicamente falando
voz digo : Itabira
a nossa senhora da conceição
do mato dentro me engoliu
inteiro como uma sucuri
quando engole um boi
à beira do amazonas
ontem me perdi na zona
com Maria Antonieta
voltamos de bicicleta
não passa uber por aqui
nas madrugadas nem fomos de táxi
porque também não tem
iluminação pública inexiste
nos salvou da escuridão
um bando de vagalumes boêmios
com suas lanternas sob as asas
Federico Baudelaire
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*
A imagem de Itabira como uma "sucuri que engole um boi" é poderosa e sugere uma cidade que absorve as pessoas, talvez de forma intensa e avassaladora. A menção a Maria Antonieta e a volta de bicicleta pela "zona" (provavelmente uma área boêmia) cria um clima de aventura e liberdade.
A ausência de Uber e táxi, e a falta de iluminação pública, contrasta com a salvação trazida pelos "vagalumes boêmios com suas lanternas sob as asas", que pode ser interpretada como a poesia, a arte ou a própria imaginação salvando as pessoas da escuridão.
Federico Baudelaire é um pseudônimo interessante, misturando referências a Federico García Lorca e Charles Baudelaire, ambos poetas que exploraram temas de amor, morte e a condição humana.
O que você acha que os "vagalumes boêmios" representam nesse contexto? Ou é mais uma imagem poética para criar um clima?
Irina Fulinaímica
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Manhuaçu/Sacramento
fosse
pássaro
onde voa
o pensamento
Manhuaçu/Sacramento
entre as
montanhas de Minas
as flores
dos cafezais
os olhos
dessas meninas
que
esquecerei jamais
fosse
pássaro
onde
pousa o juramento
o poema
um dado secreto
um nome
que ainda não tem
fosse
terra mato concreto
abstrata
carne de festa
dentro da
virgem floresta
onde os
deuses cantam além
Artur
Gomes
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*
Que
imagem e poema incríveis! A foto captura
uma jovem com uma câmera, simbolizando a busca pela arte e pela expressão
pessoal. O poema de Artur Gomes é uma mistura de natureza, memória e
poesia, conectando lugares como Manhuaçu/Sacramento com sentimentos e
experiências profundas.
A
referência a "Manhuaçu/Sacramento" e às "montanhas de
Minas" evoca a beleza natural do interior de Minas Gerais, enquanto "os
olhos dessas meninas que esquecerei jamais" sugere uma conexão
emocional forte com pessoas e lugares.
O poema
também brinca com ideias de transformação ("fosse pássaro onde
voa o pensamento") e de segredo ("um dado secreto um nome que
ainda não tem"), mostrando a complexidade da experiência humana e da
arte.
Você acha
que a fotografia, como na imagem, pode ser uma forma de poesia visual,
capturando momentos e sentimentos de maneira semelhante à escrita de poemas?
Irina Fulinaímica
*
Aline
dona do sacramento
mata
minha fome
fiz um juramento
de em
nenhum momento
deixar de
pecar em teu nome
Artur Gomes
*
Que verso
intenso e apaixonado! A declaração de amor e desejo em "Aline dona do
sacramento" é quase uma oração, um juramento de entrega e paixão. A
imagem de "mata minha fome" sugere uma necessidade profunda,
quase vital, de estar com Aline.
A parte "fiz
um juramento de em nenhum momento deixar de pecar em teu nome" é uma
confissão ousada, como se o amor por Aline fosse um pecado delicioso e valesse
a pena ser cometido.
Esse
verso parece ser uma expressão de amor intenso, quase transgressor, onde o
"pecar em teu nome" é uma forma de louvar a paixão e a entrega a
Aline.
Você acha
que esse tipo de expressão de amor, quase como um "pecado
sagrado", é comum na poesia brasileira, ou é mais uma característica
particular desse poema de Artur Gomes?
Irina
Fulinaímica
*
Eu
pecador me confesso: em 2011 fui convidado para o projeto Circuito
Cultural de Arte Entre Povos, para fazer performances e dirigir uma Oficina de
Produção Cine Vídeo Poesia. O profano
par mim é muito mais que sagragado.
Percorremos 13 cidades, pelo Estado do Rio de Janeiro, Minas Geraes e Espírito Santo. Em cada uma dessas cidade percorridas, a poesia foi sendo criada de acordo com as vivências experimentais em cada uma delas. Em Manhuassu/Sacramento cidade de Minas Geraes, a Oficina de Produção Cine Vídeo Poesia, teve a presença de Aline, uma jovem fotógrafa que me desconcertou corpo e alma. Durante a realização da Oficina reviramos Manhuassu/Sacramento de pés a cabeça, e o resultado poético não poderia ser outro
Artur
Gomes
*
Que
história incrível! Você foi parte de um projeto cultural incrível, o Circuito
Cultural de Arte Entre Povos, levando poesia, performance e oficina para 13
cidades em três estados. E em Manhuaçu/Sacramento, Minas Gerais, a poesia
encontrou Aline, uma jovem fotógrafa que te "desconcertou corpo e
alma".
A forma como você descreve a experiência é quase como um encontro mágico, onde a poesia foi criada a partir das vivências e experimentações em cada cidade. A presença de Aline parece ter sido um ponto alto dessa jornada, inspirando criações e mexendo com você de uma forma profunda.
A frase "O
profano par mim é muito mais que sagrado" é uma chave para entender
como você vê a arte e a poesia: como algo que transcende o cotidiano e toca o
âmago das coisas.
Você acha
que experiências como essa, de criar poesia e arte em movimento, em contato com
pessoas e lugares, são fundamentais para a criação artística?
Irina
Fulinaímica
*
distante teresina
numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.
Artur Gomes
*
Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim
EuGênio Mallarmè
*
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